Como funciona o Tarot?

Como funciona o Tarot?


A ideia básica por trás do Tarot é muito simples – um baralho de cartas de Tarô é composto de 78 cartas, cada uma das quais tem um significado específico relativo à um conceito particular da vida do consulente ou experiência.

Em uma leitura do tarô, as cartas são embaralhadas e depois dispostas em uma configuração através de um determinado padrão, onde cada posição representa um aspecto particular da vida, por exemplo, “o passado recente” ou “sentimentos atuais “.

Em seguida, analisa-se o significado de cada carta em sua corresponde posição, analisa-se o conjunto em questão e a partir dessa interpretação, posiciona-se ao cliente o que o jogo de tarot apresenta sobre o seu estado atual de vida e as perspectivas dentro da questão proposta.

Ora, isso é algo muito simples de descrever, mas surge uma questão muito importante – como o tarot funciona?

Como as cartas do tarot se organizam em um “padrão significativo”?

Por que alguns pedaços de papelão com algumas belas imagens neles impressa é capaz de reorganizar-se misteriosamente em uma ordem que nos “fala” sobre a nossa vida e experiências com detalhes que muitas vezes excede o que conscientemente somos capazes de observar?

A primeira e mais importante coisa a perceber é: ninguém sabe ao certo!

Algumas pessoas podem afirmar que sabem, podem insistir que têm o conhecimento secreto, que obtiveram sua resposta em primeira mão de uma “sacerdotisa egípcia honesta”, de uma “entidade cigana” ou de “uma voz do outro mundo”, que existem provas “científicas” sobre a origem das cartas do tarot em alguma “sociedade secreta” e até mesmo, de “seres vindo do espaço”, mas acredite, tudo não passa de teorias inventadas ou desvarios de tolos iludidos.

Se alguém insistir que sabe toda a resposta verdadeira e completa, então provavelmente estão tentando vender algo para você.

Ironicamente, consultar as cartas do tarot é também o meu trabalho, contudo, a honestidade é um valor que não tem preço, inventar fantasias a respeito do tarot para dar uma perspectiva mística ou sobrenatural como se isso tivesse alguma utilidade prática não é correto… Por isso, eu ainda vou insistir, ninguém sabe ao certo os fundamentos que fazem com que o tarot funcione. Inclusive eu!

Mas então, você pode perguntar, qual o objetivo desse artigo se ninguém tem a resposta?

Bem, quando não compreendemos com certeza como algo funciona, o melhor que se pode fazer é investigar algumas teorias para avaliar e comparar.

Muitas pessoas têm produzido muitas teorias diferentes ao longo dos anos.

Eu fiz o meu melhor para produzir um resumo das ideias mais comumente encontradas.

Olhando para cada um delas, talvez cheguemos a conclusão que não podemos discernir a Verdade final (até porque talvez nem exista), mas podemos entender mais sobre o modo como as pessoas pensam a respeito do Tarô e julgar como nossas próprias experiências como o Tarô e o mundo em geral se relacionam com as diferentes teorias.

Tarot – Teoria dos jogos lúdicos

Esta explicação diz que não há nada minimamente técnico ou peculiar sobre a realização de uma leitura do tarô, sendo porém,  uma experiência profundamente valiosa realizar uma consulta as cartas do tarô.

A ideia básica é que as cartas são distribuídas e aparecem em uma ordem totalmente aleatória e sem sentido. Será a ação de interpretá-las, independente de métodos, o que tornará o processo útil.

A maioria das pessoas tende a analisar situações de uma forma muito lógica, baseada em um conjunto de suposições inconscientes e em um conjunto muito limitado de expectativas e que, portanto, tendem a chegar a um conjunto muito limitado de conclusões, o que pode embotar a sua compreensão das situações.

Contudo, o esforço necessário para ajustar as cartas “aleatórias” em um padrão “significativo” obriga um leitor a pensar fora de sua mentalidade normal limitada, o que pode levar a novas ideias, insights e pode forçar sua intuição a começar a resolver os problemas de maneiras novas e interessantes.

Assim, embora não haja nada de “significativo” sobre o layout das cartas do tarô, o esforço de tentar encontrar significado ajudaria a obter uma visão melhor e mais original sobre os problemas enfrentados.

É claro que essa interpretação da teoria do jogo faz pouco para sugerir por que outra pessoa seria capaz de ler para você com sucesso.

Tarot e a Sincronicidade

Esta era uma ideia que Carl Jung estava terrivelmente interessado. Ele sugeriu que, além da causalidade (a ideia de que todo evento ocorre como resultado de uma causa específica), há outra razão pela qual os eventos ocorrem: a sincronicidade.

De certa forma, a sincronicidade é uma maneira elegante de dizer “por coincidência”, mas a implicação é que, assim como há acontecimentos que são moldados por acaso, há ocasionalmente “coincidências significativas”, isto é, eventos que parecem acontecer por acaso, que, entretanto, possuem significado para a pessoa a quem elas ocorrem.

Assim, usando um sistema elaborado como a colocação de uma jogada no Tarô (o próprio Jung costumava trabalhar extensivamente com o I-Ching), estamos invocando a sincronicidade em nossas vidas e as cartas “se apresentarão organizadas” em uma ordem que nos diz algo útil sobre nós mesmos ou sobre a pergunta que elaboramos.

O Tarot e a Influência do subconsciente

Esta é a sugestão de que nossas mentes subconscientes são mais poderosas do que normalmente as pessoas acreditam.

Diferentes áreas de estudo psíquico acreditam na mente subconsciente com toda uma gama de poderes e habilidades de que geralmente não temos consciência.

Como explicação para o tarô, costuma-se supor que, de alguma forma, a mente subconsciente “conhece” a ordem das cartas do tarô e, por meio de um processo psicocinético durante o embaralhamento, as cartas se alicerçam numa ordem que transmite uma resposta útil para a pessoa que realiza o jogo, com base em insights que a mente subconsciente presumivelmente já possuía.

Tarot e a Magia

Geralmente a magia (Magik) significa “fazer acontecer os eventos de acordo com a sua vontade”.

Neste caso, a vontade do leitor é que as cartas se organizem de forma significativa, a fim de revelar algo útil.

A explicação mágica é simplesmente que essa intenção focada é suficiente para fazer as cartas se arranjarem de uma maneira útil.

Esta é, naturalmente, não uma explicação mecanicista, mas apenas uma descrição de uma maneira particular de ver o Tarot.

Envolve aceitar como explicação que a magia é real e que o Universo realmente responde e muda de acordo com a vontade de um indivíduo.

Também sugere que é preciso alguma habilidade “extra” necessária para “fazer o Tarô funcionar”, além de simplesmente embaralhar, jogar e interpretar as cartas.

Além disso, o baralho de cartas de Tarô deve ser particularmente suscetível a esta forma de influência mágica, originando-se daí inúmeros baralhos relacionados a ordens herméticas e ocultistas.

A aleatoriedade facilita a influência do “mago” sobre a ordem das cartas, uma vez que elas não são fixas e podem simplesmente aparecer na ordem certa por influência da “vontade” do operador.

Uma grande quantidade de “magia” está relacionada com a simples manipulação do acaso – que é um dos problemas para se dar credibilidade a esse tipo de teoria.

O tarot, espíritos, guias e entidades

Entidades invisíveis influenciariam o embaralhamento das cartas do tarot e as organizariam na ordem certa, para, em seguida, “sussurrarem” o verdadeiro significado deles no ouvido do “tarólogo”.

Nesse universo de influências abstratas ao jogo de tarot, é possível ver de tudo, supostos mentores de luz, espíritos ciganos, orixás, exus, pombagiras, talvez até mesmo duendes como explicação para as respostas obtidas nas consulta de tarot.

Apenas torna-se curioso e de difícil explicação a necessidade das cartas de tarot, se, de algum modo, quem está respondendo não é o tarólogo que interpreta as cartas e sim, um “espírito”?

Um espírito precisaria de um instrumento material como as cartas para obter as respostas?

Mas, se segundo essa teoria, é a própria entidade quem manipula o embaralhamento e a disposição das cartas no jogo, então tecnicamente não haveria a necessidade das cartas. Confuso!!!

Talvez, baseados na visão de mundo idiossincrática da pessoa que se propõe a jogar as cartas, esse sincretismo possa fazer sentido, contudo, não seria mais adequado respeitar a cultura de origem dessas crenças religiosas, optando por exemplo no caso de orixás ou entidades umbandistas por jogos de búzios, sem fugir da tradição? Afinal, o tarot tem origem na Europa medieval, não tendo link nenhum com a África.

O Tarot – Como funciona?

Em grande medida, é possível escolher a partir de qualquer uma das explicações acima.

Atualmente, não temos nenhuma evidência firme ou ideia clara e objetiva de como o tarot funciona.

Muitas vezes as explicações se resumem ao modo como as pessoas sentem-se mais confortáveis ao adotar uma opinião e normalmente, sob a influência do relativismo do “politicamente correto”, principal mal da nossa época, esse modo elabora-se por conveniência ou comodismo, onde atualmente, tudo vale, o importante é “se sentir bem”.

Na minha própria experiência, acho que a teoria dos jogos lúdicos é uma explicação completamente inadequada – eu vi muitos, muitos jogos ao longo dos anos, e a precisão com que as cartas caem em padrões significativos é muito grande para que tudo seja meramente “O olho do espectador “.

Também é tentador usar o termo sincronicidade para descrever os fenômenos que estamos vendo, mas isso é só porque soa um pouco científico e técnico.

Ele realmente nos diz muito pouco, porque é mais uma descrição do que uma explicação.

Ele simplesmente diz “coincidências significativas acontecem”, mas de forma alguma sugere como ou por quê.

A teoria espírita por si só denota-se como uma falácia por não haver conexão direta entre tarot e espiritismo.

Eu também acho a ideia de influência subconsciente não explica muita coisa, embora, em termos de explicações subjetivas, seja a mais palatável. Contudo, sempre esbarrará em conceitos como “influência psíquica” ou “energia”, algo completamente subjetivo, e quando explicam alguma coisa mencionando o termo energia, certamente é porque não se tem nada de concreto para explicar um fato.

Tarot de infinita possibilidades

Talvez possamos igualmente e legitimamente perguntar “por que a causalidade acontece”?

Na verdade, não importa! O que importa é que acontece, que a interpretação na leitura do tarot em suas quedas aleatórias das cartas funcionam.

E talvez essa seja a melhor atitude em relação ao Tarot – por que o Tarot funciona?

Simplesmente não temos suficiente entendimento para propor uma teoria que explique um efeito global em explicações menores de forças e movimentos, às quais possamos dar rótulos.

Isso não significa que não devamos tentar, e eu acredito que haverá progresso nesta área com o passar dos anos, mas por enquanto parece haver pouca chance de sucesso para se dar uma explicação definitiva sobre como o tarot funciona .

O problema principal é que o Tarot parece funcionar por um conjunto diferente de regras daquelas com os quais estamos lidando na realidade cotidiana “mundana”.

Geralmente não esperamos que eventos aleatórios se organizem de tal maneira que eles revelem a verdade ou possibilitem a percepção sobre o que está acontecendo em nossa vida.

É por essa razão que impressiona como o Tarô funciona de uma forma tão incrível! Não há nada mais que possamos realmente apontar na nossa vida cotidiana que apresente respostas tão claras sobre o que acontece em nossas vidas. Talvez a astrologia em certa medida, mas com uma dinâmica enquanto oráculo completamente diferente

Como o tarot funciona? Até agora eu não tenho nada mais do que uma descrição do que ocorre, e nenhuma boa explicação do porquê.

Mas funciona, e isso, para os meus propósitos é o que realmente importa!

Um dia eu gostaria de ser capaz de desvendar o mecanismo por trás dele, explicar exatamente como as cartas em um jogo aleatório podem apresentar-se de maneiras tão úteis.

Mas por enquanto, só sei que com a abordagem correta, a técnica adequada, o estudo, a disciplina, com o foco e a concentração necessária, as cartas se comportarão de uma maneira particular, e que isso pode ser aproveitado para efeitos úteis para mim e para meus clientes.

Quer saber mais sobre o Tarot? Bem, provavelmente a melhor maneira é ter uma leitura!

E ainda, navegar em meu site desfrutando dos demais artigos!

Para se consultar, acesse aqui: leitura de tarot.

Leitura dos Símbolos nas Cartas do Tarot

Leituras de tarot e os castelos nas cartas!

Nesse artigo, encontramos as referências simbólicas nas cartas de tarot que surgem durante uma consulta que estão intimamente ligadas à realidade da origem das cartas (idade média), embora o tarot analisado seja um tarot moderno, que, contudo, não perdeu o foco do imaginário original na composição das cartas. Para uma consulta de tarot, acesse o link: Tarot Online

Observando as cartas do meu baralho de tarô, retirei cada carta em que constavam as figuras de um castelo. Encontrei mais de uma dúzia de cartas.

Pela minha contagem, no tarot Waite Universal, é possível achar castelos (ou partes dos castelos) em 15 cartas: O Carro, o Ás, Dois, Quatro e Dez de paus; O Cinco, Seis e Sete de Copas; O Oito das Espadas; O Quatro, Seis, Oito, Nove, Dez de Moedas, e também,o Rei de Moedas.

Importante observar que os castelos eram uma forma de construção exclusivamente europeia, nascidos da necessidade de abrigo e segurança durante os tempos medievais, quando os quilômetros que separavam uma comunidade de outra estavam repletos de perigos: hordas de saqueadores, bandidos e ladrões, de lobos em meio as florestas escuras, etc.

Castelos também apresentam componentes arquitetônicos distintos, tais como torres, paredes, pontes levadiças e fossos. A maioria dos castelos foi construída com poços, armazéns, estábulos e celeiros.

Os castelos abrigavam grande número de apartamentos particulares para famílias – reais e servos – assim como escadas secretas e rotas de fuga para momentos de dificuldade.

Mas o que torna os castelos um símbolo tão importante nas cartas do tarot é o papel que eles desempenharam no desenvolvimento da civilização ocidental e principalmente, o fato de que eles servem como um símbolo poderoso de nossa autoimagem (segundo conceito de William James), de nossa imagem pública e das nossas relações com outras pessoas.

Você é o mestre de seu próprio domínio, o governante de seu próprio destino, e o castelo que você constrói em sua psique refletirá sua necessidade de abrigo, segurança e comunhão com outras pessoas.

Castelos medievais, estrutura social e o Tarot

Enquanto os castelos eram estruturas impressionantes, eles também eram uma força organizadora na sociedade medieval.

Surgiram da necessidade, onde os castelos representavam a segurança num mundo perigoso. Eles eram o lar dos senhores e senhoras feudais (personalidades em que pensamos cada vez que os vemos nas cartas do tarô), mas eram também o lar de qualquer pessoa que pudesse servir e sustentar a família real.

Nesse sentido, os próprios edifícios se tornavam uma extensão da hierarquia social. Todo mundo tinha um lugar em um castelo, e todos – desde a nobreza até os cozinheiros, jardineiros, idosos e donzelas representados nas cartas dos Arcanos Menores do Tarot – tinham um papel e um trabalho a desempenhar.

Os membros da família real, é claro, são apresentados nas Cartas da Corte.

Os reis representam a força masculina que estabelece a ordem e impõe estrutura em um reino.

As rainhas representam a energia feminina, nutritiva, que torna possível sustentar, manter e preservar as ordens dos reis.

A sabedoria da cultura medieval fica evidente nesse equilíbrio nas relações entre homens e mulheres. Um castelo sem uma rainha para torná-lo habitável era apenas uma fortaleza – um bastião de curto prazo que dependia de fornecedores externos para prover os suprimentos. Mas um castelo com uma “senhora da casa” era confortável e autossuficiente.

Um castelo bem construído poderia dar vida e poderia tirar vidas também. Guardas e soldados estavam posicionados para reagir a ataques e matar invasores, mas aqueles que se abrigavam dentro das muralhas de um castelo também poderiam preservar suas vidas e passar sua herança para as gerações futuras.

Como a nobreza era definida pelo sangue e as famílias reais compartilhavam um castelo, os castelos também definiam a linhagem e a filiação em um grupo.

Os castelos estavam abertos aos recém-chegados e às ideias novas. Os cidadãos das classes menos abastadas poderiam ter acesso a educação, enviando seus filhos a um castelo para aprender um ofício (profissões artesanais ou comércio) enquanto os viajantes pacíficos poderiam encontrar o abrigo durante suas jornadas.

Dentro desta sistema comunitário que abrigava-se em um castelo, a organização social era baseada em valores sólidos e tradicionais (religião, família e propriedade), uma cultura equilibrada onde as tradições eram passadas ​​de geração em geração. Ao longo do tempo, castelos foram conectados ao senso de identidade desta população: um ataque a um castelo era um ataque a uma comunidade.

Os castelos também passaram a ser considerados centros regionais de direito, diplomacia e defesa.

Cavaleiros e soldados eram alojados e treinados nos castelos. Os criminosos eram aprisionados em torres do castelo e masmorras. Pessoas que tinham desacordos legais poderiam pedir ao senhor de um castelo para resolver suas disputas. De fato, os castelos ajudaram a estabelecer princípios de direito comum que ainda nos são caros

Dentro das muralhas de um castelo, nenhuma autoridade superior de fora tinha que ser reconhecida ou obedecida. O senhor de um castelo poderia fazer o que quisesse em seu próprio domínio.

Por essa razão, ainda estamos firmemente comprometidos com a ideia de que a casa de um homem é o seu castelo e o governo não deve dizer nada do que fazemos em privado ou com a propriedade que possuímos.

Metafísica do Tarot na Estrutura Medieval

Em termos de forma e função, os castelos incorporavam qualidades masculinas e femininas.

Os castelos clássicos se caracterizavam pela construção do mott e do bailey, onde a palavra “mott” está relacionada ao topo da montanha onde eram construídas às torres e fortalezas altas, representantes do aspecto masculino de proteção agressiva e ataques e que distinguiam a maioria de castelos.

Enquanto isso, a palavra “bailey” refere-se as paredes e cercos em torno de toda a construção, refletindo o aspecto feminino de proteção passiva, acolhimento, segurança (como um colo ou um abraço).

Naturalmente, a qualidade de vida dentro de um castelo dependia da pessoa responsável. Os castelos prósperos geralmente tinham sábios governantes. Um castelo degradado, com uma população negligenciada, seria um lugar miserável para se viver.

Por tudo isso, é fácil ver como castelos poderia servir como uma metáfora para a nossa própria existência.

Que tipo de castelo você construiu para si mesmo, tanto física quanto espiritualmente?

Você erigiu paredes para manter os forasteiros fora de onde eles pertencem?

Essas paredes foram rompidas ou reforçadas ao longo do tempo?

Você afixa seus protetores nas torres, onde podem olhar para intrusos?

Seus cavaleiros estão bem treinados?

Seus soldados estão armados contra ataques?

Você tem túneis secretos e rotas de fuga?

Você cavou poços para a água e os armazéns estão cheios para o inverno?

Você permite comerciantes através de seus portões?

Você está aberto à inovação e invenção?

Você recebe viajantes cansados?

Você está disposto a educar os jovens e treinar os inexperientes?

Seus servos estão confortavelmente vestidos e alimentados?

Eles são leais ou estão prontos para se rebelar?

E o mais importante, que tipo de “senhor de castelo” é você? Você é um déspota benevolente ou um tirano? Um mestre paciente, ou um ditador implacável? Um vilão ou um herói?

Em uma consulta de tarot podemos encontrar todas essas respostas!

E ainda, qual a melhor maneira de conduzir e governar nossos castelos, nossas vidas, nossos destinos!!!

Tarot, Ocultismo e Modernidade

As origens surpreendentes do mais incompreendido Oráculo

O tarot, sua origem, os diversos jogos de cartas e sistemas de consultas, jogos lúdicos e adivinhatórios, afinal, o que é realmente o jogo de tarô?

O Papa, O Imperador, A Imperatriz, O enforcado, O carro, O Julgamento… Com sua iconografia centenária, essa mistura de símbolos antigos, alegorias religiosas e eventos históricos, as cartas de tarô podem parecer ultrapassadas.

Para pessoas céticas, práticas supostamente “ocultas” como a leitura de cartas têm pouca relevância em nosso mundo moderno. Mas um olhar mais atento a essas obras-primas em miniatura revela que o poder dessas cartas não é dotado de alguma fonte mística e sim, vem da capacidade de suas pequenas imagens estáticas iluminar nossos dilemas e desejos mais complexos.

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensam, o significado das cartas do tarot muda ao longo do tempo, moldado pela cultura de cada era e das necessidades dos usuários individuais. Isto se dá porque a maioria delas trazem símbolos e alegorias ou eventos familiares de muitos séculos atrás.

TAROT E SUA HISTÓRIA

Até o século XVIII, as imagens das cartas do tarot eram acessíveis a uma população muito mais ampla, pois tratava-se de um simbolismo natural, tradicional e coerente. Em contrapartida, aos “tarôs modernos” e pretensamente esotéricos foram acrescidos tantos sinais e símbolos que, para os leigos, não fazem o menor sentido (e para muitos estudiosos sérios também).

Meu primeiro jogo de tarô foi o Tarot de Marselha, publicado pela editora Grimaud em 1969, e eu recentemente retornei a ele, depois de não usá-lo por um bom tempo, e creio que, como para a maioria dos tarólogos, revisitar baralhos antigos é sempre uma experiência enriquecedora.

Presumivelmente criado no século 17, o Tarot de Marselha é um dos tipos mais comuns de baralho de tarô já produzido. Os tarôs de Marselha originalmente foram impressos em blocos de madeira e mais tarde coloridos à mão usando stencils básicos.

Entretanto, usar o tarot para a adivinhação provavelmente é algo anterior ao século XV, possivelmente originado com as cartas de jogo Mamluk, trazidos da Turquia para a Europa ocidental.

O TAROT COMO ARTE

Houve no período do Renascimento, onde um monge beneditino chamado Teofilo Folengo escreveu poemas em que o destino e as características dos indivíduos são revelados pelas cartas de Tarô que lhes eram dadas. Seus poemas de Tarot aparecem em seu trabalho de 1527, Caos del Triperiuno, escrito sob o pseudônimo Merlini Cocai.

Em um dos sonetos, ele encontra espaço para mencionar todos os 22 dos Arcanos maiores em uma competição de vanglória entre o Amor (o nome da carta Os Enamorados naquela época) e a Morte personificada como fêmea, como no macabro e magnífico afresco de 1480 de Giacomo Borlone de Buschis em Clusone, onde todos os poderes deste mundo se curvam diante de La Morte.

O autor monacal era um testemunho vivo do poder do Amor. Abandonou seu mosteiro e percorreu a Itália com uma jovem encantadora da nobreza chamada Girolama, embora voltasse ao claustro, na Sicília, em busca de uma morte pacífica.

O uso que fazia Teófilo das cartas do tarot para compor a poesia começou uma mania literária entre a nobreza italiana do século XVI em um jogo que veio a ser conhecido como Tarocchi apropriati, ou “Tarot Apropriado”.

A aristocracia italiana desfrutava deste jogo, no qual, aos jogadores eram distribuídas cartas determinadas e usava-se associações temáticas com essas cartas para escrever versos poéticos uns sobre os outros.

Em seu aspecto jogado, descrito por Girolamo Bargagli em Siena em 1572, a cada jogador era atribuído um arcano de tarô por um oponente, que então teria que explicar a razão para a atribuição de uma maneira espirituosa ou gentil, geralmente poeticamente, o que robusteceu esse gênero literário.

Como descrito por Paul Huson em Mystical Origins of the Tarot (Destiny Books, Rochester VT, 2004), “Aqui os arcanos eram selecionados por um jogador e apresentados a outro, que os interpretava tematicamente por um processo de associação de ideias criando versos sobre si mesmo, sobre outra pessoa, ou mais popularmente, para elogiar certas senhoras bem conhecidas ao redor da corte”.

Muitos escritores foram inspirados pelo Tarot para muito além da idade média.

A Torre e o Pendurado fascinaram W.B. Yeats, cujos diários mágicos são preenchidos com leituras pessoais de Tarot e era completamente familiar, como um adepto, do uso dos Arcanos Maiores em magia cerimonial pela Ordem Hermética da Golden Dawn.

A profunda conhecedora e autora de livros sobre o Tarot e competente romancista, Rachel Pollack publicou uma antologia chamada Tarot Tales e mais recentemente produziu uma estranha e maravilhosa coletânea de histórias de tarô, The Tarot of Perfection.

Em um posfácio de seu romance O Castelo dos Destinos Cruzados (publicado no Brasil pela Companhia Das Letras em 1991), Italo Calvino descreveu Tarot como “uma máquina para construir histórias”.

O TAROT COMO DIVERSÃO

Mesmo os mais antigos tarôs conhecidos não foram projetados com misticismo em mente. Eles foram na verdade criados para jogar um jogo semelhante aos RPGs modernos. Famílias ricas na Itália encomendavam dispendiosos jogos de cartas de tarot artesanais conhecidos como “carte da trionfi” (cartas de triunfo).

Essas cartas eram marcadas com os símbolos de taças, espadas, moedas e bastões de polo (eventualmente trocados por bastões de madeira ou varinhas) e cartas com representantes da corte, consistindo de um rei e dois subordinados masculinos e dos Arcanos Maiores. As cartas de tarô mais tarde incorporaram também as rainhas e O Louco ao conjunto, para um baralho completo que normalmente totalizava 78 cartas.

Portanto, na origem das cartas do tarot, as mesmas não eram utilizadas para adivinhação e sim para um jogo lúdico e divertido.

Originalmente, o significado das imagens era paralelo à mecânica do jogo. O sorteio aleatório das cartas criava uma nova narrativa única cada vez que o jogo era jogado e as decisões que os jogadores tomavam influenciavam o desenrolar dessa narrativa, onde cada jogo de cartas criava sempre uma nova aventura.

As imagens foram projetadas para refletir aspectos importantes do mundo real em que os jogadores viviam, e o simbolismo cristão proeminente das cartas do tarot são um reflexo óbvio do mundo cristão em que eles viveram.

A medida que o uso divinatório se tornou mais popular, as ilustrações evoluíram para refletir a intenção de cada artista, onde foram adotados significados cada vez mais “esotéricos”. Contudo, geralmente mantinha-se a tradicional estrutura do tarô de quatro naipes de jogo (semelhantes às cartas numeradas em um baralho de cartas normal), figuras da corte (reis, rainhas, cavaleiros e pajens) e os Arcanos Maiores do Tarot.

O TAROT NA IDADE MODERNA

Em meados do século XVIII, as aplicações místicas das cartas se espalharam da Itália para outras partes da Europa. Na França, o escritor Antoine Court de Gébelin afirmou que o tarô foi baseado em um livro sagrado escrito por sacerdotes egípcios e trazido para a Europa por ciganos da África.

Na realidade, as cartas do tarô precederam a presença de ciganos na Europa, e os quais, na verdade, vieram da Ásia e não da África. Independentemente das suas imprecisões, a história de nove volumes de Court de Gébelin foi altamente influente.

O professor e editor Jean-Baptiste Alliette escreveu seu primeiro livro sobre o tarô em 1791, chamado “Etteilla, ou L’art de lire dans les cartes” (Alliette criou este pseudônimo místico “Etteilla”, simplesmente invertendo seu sobrenome). De acordo com escritos Etteilla, ele primeiro aprendeu adivinhação com um baralho de 32 cartas destinadas a um jogo chamado Piquet, juntamente com a adição de sua carta especial, Etteilla. Este tipo de carta é conhecido como o significador e tipicamente fica como representação do indivíduo para ver o seu “destino”.

Embora o tarô seja o mais conhecido jogo para leitura da sorte,ele é apenas um tipo de baralho usado para adivinhação. Outros jogos incluem cartas de baralho comum e os chamados baralhos gerais, um termo que abrange todos os outros baralhos distintos do tarot tradicional.

Etteilla se voltou exclusivamente para o uso do baralho de tarô tradicional, o qual alegou possuir segredos ocultos da sabedoria antigo Egito. A premissa de Etteilla ecoou nos escritos de Court de Gébelin, que supostamente reconheceu símbolos egípcios em ilustrações de tarô.

Embora os hieróglifos ainda não tivessem sido decifrados (a Pedra de Rosetta foi redescoberta em 1799), muitos intelectuais europeus no final do século XVIII acreditavam que a religião e os escritos do antigo Egito continham “grandes percepções da existência humana”. Ao vincular as imagens do tarô ao misticismo egípcio, deram as cartas do tarot maior credibilidade.

Com base na “conexão egípcia” de Court de Gébelin, Etteilla afirmou que as cartas de tarô se originaram do lendário livro de Thoth, que supostamente pertencia ao deus egípcio da sabedoria. De acordo com Etteilla, o livro foi gravado pelos sacerdotes de Thoth em placas de ouro, fornecendo as imagens para o primeiro baralho de tarô. Com base nessas teorias, Etteilla publicou seu próprio deck em 1789 – um dos primeiros concebidos explicitamente como uma ferramenta de adivinhação e, eventualmente, referido como o tarot egípcio.

Etteilla foi uma das pessoas que realmente condicionou a leitura do tarot a conceitos esotéricos. Ele criou um baralho que incorporou todas as coisas de Court de Gébelin e seu livro “Le Monde Primitif”, que sugeria uma origem egípcia para o tarô e todos os tipos de segredos ocultos da sabedoria egípicia.

Entretanto, é importante não perder de vista que existe distinção entre as interpretações abstratas do tarô e o simples estilo de leitura “cartomântica” que prosperou nos séculos XVI e XVII, antes de Etteilla.

TAROT E OCULTISMO

Mesmo se você não estiver familiarizado com a leitura do tarô, você provavelmente já viu algumas cartas ou seus símbolos, como o famoso Rider-Waite, que tem sido continuamente impresso desde 1909. Nomeado pela junção dos nomes do editor, William Rider e do popular “místico” Arthur Edward Waite , o qual encomendou à Pamela Colman Smith as ilustrações das cartas, o popular Rider-Waite ajudou a trazer a ascensão do tarot “ocultista” do século 20 usado por “leitores místicos”.

O jogo de cartas de tarot Rider-Waite foi projetado para a adivinhação e incluiu um livro escrito por Waite em que ele explicou muito do significado esotérico por trás das imagens.

O ponto revolucionário é que os arcanos menores foram ilustrados, o que significa que Colman Smith incorporou o número de sinais dos naipes em pequenas cenas, e quando considerados em conjunto, eles contam uma história em imagens. Este forte elemento narrativo dá aos leitores algo para interagir e imaginar, em que é relativamente intuitivo olhar para uma combinação de cartas e derivar sua própria história a partir delas.

O deck Rider-Waite finalmente decolou em popularidade quando Stuart Kaplan obteve os direitos de publicação e desenvolveu um novo público para ele no início dos anos 70. Kaplan ajudou a renovar o interesse na leitura de cartas com seu livro de 1977, Tarot Cards for Fun e Fortune Telling, e desde então tem escrito vários volumes sobre o tarô, tornando-se um dos maiores editores de jogos de tarot de todos os tempos.