Esta carta apresenta um simbolismo essencialmente invariável em todos os baralhos de Tarô, ou que, pelo menos, as variações não lhe afetam o caráter. O grande anjo está aqui rodeado por nuvens, tocando uma trombeta embandeirada, e a cruz, convencional, aparece na bandeira. Dos túmulos, mortos levantam-se: uma mulher à direita, um homem à esquerda e entre eles seu filho, que está de costas. Nesta carta, porém, há mais do que os três que foram ressuscitados, e achou-se que valia a pena essa variação para mostrar a possível insuficiência das explicações tradicionais. Nota-se que todas as figuras expressam em sua atitude assombro, adoração e êxtase. É a carta que registra a consecução do grande trabalho de transformação em resposta aos apelos do Supremo, apelos ouvidos e respondidos no íntimo.
Há nisso a sugestão de uma significação que não pode ser levada além presentemente. O que é que dentro de nós faz soar uma trombeta e tudo que há de inferior em nossa natureza se ergue em resposta, quase em um momento, quase em um piscar de olhos? Deixemos que a carta continue a significar, para aqueles que não podem ver além, o Juízo Final e a ressurreição do corpo natural; mas deixemos aqueles que têm olhos para o interior olharem e descobrirem o que ali se contém. Eles compreenderão que ela foi com razão no passado chamada a carta da vida eterna, e por esse motivo, pode ser comparada com aquela apresentada sob o nome de Temperança.
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