Leitura dos Símbolos nas Cartas do Tarot

Leituras de tarot e os castelos nas cartas!

Nesse artigo, encontramos as referências simbólicas nas cartas de tarot que surgem durante uma consulta que estão intimamente ligadas à realidade da origem das cartas (idade média), embora o tarot analisado seja um tarot moderno, que, contudo, não perdeu o foco do imaginário original na composição das cartas. Para uma consulta de tarot, acesse o link: Tarot Online

Observando as cartas do meu baralho de tarô, retirei cada carta em que constavam as figuras de um castelo. Encontrei mais de uma dúzia de cartas.

Pela minha contagem, no tarot Waite Universal, é possível achar castelos (ou partes dos castelos) em 15 cartas: O Carro, o Ás, Dois, Quatro e Dez de paus; O Cinco, Seis e Sete de Copas; O Oito das Espadas; O Quatro, Seis, Oito, Nove, Dez de Moedas, e também,o Rei de Moedas.

Importante observar que os castelos eram uma forma de construção exclusivamente europeia, nascidos da necessidade de abrigo e segurança durante os tempos medievais, quando os quilômetros que separavam uma comunidade de outra estavam repletos de perigos: hordas de saqueadores, bandidos e ladrões, de lobos em meio as florestas escuras, etc.

Castelos também apresentam componentes arquitetônicos distintos, tais como torres, paredes, pontes levadiças e fossos. A maioria dos castelos foi construída com poços, armazéns, estábulos e celeiros.

Os castelos abrigavam grande número de apartamentos particulares para famílias – reais e servos – assim como escadas secretas e rotas de fuga para momentos de dificuldade.

Mas o que torna os castelos um símbolo tão importante nas cartas do tarot é o papel que eles desempenharam no desenvolvimento da civilização ocidental e principalmente, o fato de que eles servem como um símbolo poderoso de nossa autoimagem (segundo conceito de William James), de nossa imagem pública e das nossas relações com outras pessoas.

Você é o mestre de seu próprio domínio, o governante de seu próprio destino, e o castelo que você constrói em sua psique refletirá sua necessidade de abrigo, segurança e comunhão com outras pessoas.

Castelos medievais, estrutura social e o Tarot

Enquanto os castelos eram estruturas impressionantes, eles também eram uma força organizadora na sociedade medieval.

Surgiram da necessidade, onde os castelos representavam a segurança num mundo perigoso. Eles eram o lar dos senhores e senhoras feudais (personalidades em que pensamos cada vez que os vemos nas cartas do tarô), mas eram também o lar de qualquer pessoa que pudesse servir e sustentar a família real.

Nesse sentido, os próprios edifícios se tornavam uma extensão da hierarquia social. Todo mundo tinha um lugar em um castelo, e todos – desde a nobreza até os cozinheiros, jardineiros, idosos e donzelas representados nas cartas dos Arcanos Menores do Tarot – tinham um papel e um trabalho a desempenhar.

Os membros da família real, é claro, são apresentados nas Cartas da Corte.

Os reis representam a força masculina que estabelece a ordem e impõe estrutura em um reino.

As rainhas representam a energia feminina, nutritiva, que torna possível sustentar, manter e preservar as ordens dos reis.

A sabedoria da cultura medieval fica evidente nesse equilíbrio nas relações entre homens e mulheres. Um castelo sem uma rainha para torná-lo habitável era apenas uma fortaleza – um bastião de curto prazo que dependia de fornecedores externos para prover os suprimentos. Mas um castelo com uma “senhora da casa” era confortável e autossuficiente.

Um castelo bem construído poderia dar vida e poderia tirar vidas também. Guardas e soldados estavam posicionados para reagir a ataques e matar invasores, mas aqueles que se abrigavam dentro das muralhas de um castelo também poderiam preservar suas vidas e passar sua herança para as gerações futuras.

Como a nobreza era definida pelo sangue e as famílias reais compartilhavam um castelo, os castelos também definiam a linhagem e a filiação em um grupo.

Os castelos estavam abertos aos recém-chegados e às ideias novas. Os cidadãos das classes menos abastadas poderiam ter acesso a educação, enviando seus filhos a um castelo para aprender um ofício (profissões artesanais ou comércio) enquanto os viajantes pacíficos poderiam encontrar o abrigo durante suas jornadas.

Dentro desta sistema comunitário que abrigava-se em um castelo, a organização social era baseada em valores sólidos e tradicionais (religião, família e propriedade), uma cultura equilibrada onde as tradições eram passadas ​​de geração em geração. Ao longo do tempo, castelos foram conectados ao senso de identidade desta população: um ataque a um castelo era um ataque a uma comunidade.

Os castelos também passaram a ser considerados centros regionais de direito, diplomacia e defesa.

Cavaleiros e soldados eram alojados e treinados nos castelos. Os criminosos eram aprisionados em torres do castelo e masmorras. Pessoas que tinham desacordos legais poderiam pedir ao senhor de um castelo para resolver suas disputas. De fato, os castelos ajudaram a estabelecer princípios de direito comum que ainda nos são caros

Dentro das muralhas de um castelo, nenhuma autoridade superior de fora tinha que ser reconhecida ou obedecida. O senhor de um castelo poderia fazer o que quisesse em seu próprio domínio.

Por essa razão, ainda estamos firmemente comprometidos com a ideia de que a casa de um homem é o seu castelo e o governo não deve dizer nada do que fazemos em privado ou com a propriedade que possuímos.

Metafísica do Tarot na Estrutura Medieval

Em termos de forma e função, os castelos incorporavam qualidades masculinas e femininas.

Os castelos clássicos se caracterizavam pela construção do mott e do bailey, onde a palavra “mott” está relacionada ao topo da montanha onde eram construídas às torres e fortalezas altas, representantes do aspecto masculino de proteção agressiva e ataques e que distinguiam a maioria de castelos.

Enquanto isso, a palavra “bailey” refere-se as paredes e cercos em torno de toda a construção, refletindo o aspecto feminino de proteção passiva, acolhimento, segurança (como um colo ou um abraço).

Naturalmente, a qualidade de vida dentro de um castelo dependia da pessoa responsável. Os castelos prósperos geralmente tinham sábios governantes. Um castelo degradado, com uma população negligenciada, seria um lugar miserável para se viver.

Por tudo isso, é fácil ver como castelos poderia servir como uma metáfora para a nossa própria existência.

Que tipo de castelo você construiu para si mesmo, tanto física quanto espiritualmente?

Você erigiu paredes para manter os forasteiros fora de onde eles pertencem?

Essas paredes foram rompidas ou reforçadas ao longo do tempo?

Você afixa seus protetores nas torres, onde podem olhar para intrusos?

Seus cavaleiros estão bem treinados?

Seus soldados estão armados contra ataques?

Você tem túneis secretos e rotas de fuga?

Você cavou poços para a água e os armazéns estão cheios para o inverno?

Você permite comerciantes através de seus portões?

Você está aberto à inovação e invenção?

Você recebe viajantes cansados?

Você está disposto a educar os jovens e treinar os inexperientes?

Seus servos estão confortavelmente vestidos e alimentados?

Eles são leais ou estão prontos para se rebelar?

E o mais importante, que tipo de “senhor de castelo” é você? Você é um déspota benevolente ou um tirano? Um mestre paciente, ou um ditador implacável? Um vilão ou um herói?

Em uma consulta de tarot podemos encontrar todas essas respostas!

E ainda, qual a melhor maneira de conduzir e governar nossos castelos, nossas vidas, nossos destinos!!!